A Polícia Civil concluiu que a venda do arsênio utilizado nos crimes que resultaram na morte de quatro familiares em Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, não ocorreu de forma ilegal. A apuração identificou que a substância foi adquirida por meio de sites pertencentes a uma empresa registrada no Rio de Janeiro e que, atualmente, não há legislação penal que proíba a comercialização do produto para pessoas físicas.
A investigação sobre a origem do arsênio foi finalizada em dezembro de 2025, um ano após as mortes. O trabalho foi conduzido pela Delegacia do Consumidor (Decon), que localizou o responsável pela venda, mas concluiu que a negociação não configura crime, em razão da ausência de regulamentação específica que restrinja esse tipo de comércio.
Embora a polícia reconheça que a comercialização de compostos arsenicais represente risco à saúde, eventuais irregularidades se limitariam à esfera administrativa. A fiscalização e a apuração de possíveis infrações sanitárias cabem à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por avaliar o cumprimento das normas de segurança na venda desse tipo de substância.
O caso ganhou repercussão nacional após a confirmação de que três mulheres morreram, em dezembro de 2024, após consumirem um bolo contaminado com arsênio durante uma reunião familiar em Torres. Meses antes, o sogro da principal suspeita também morreu após ingerir alimentos envenenados. Outras pessoas da família, incluindo uma criança, sobreviveram após atendimento médico.
A investigação criminal, concluída em fevereiro, apontou Deise Moura dos Anjos como autora de quatro homicídios triplamente qualificados, praticados com uso de veneno. Presa temporariamente em janeiro, ela foi encontrada morta na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. Com a morte da investigada, o processo foi extinto, conforme prevê o Código Penal.
O inquérito também descartou motivação financeira para os crimes, indicando como principal hipótese um quadro de perturbação mental. Paralelamente, a Polícia Civil informou que tramitam na Câmara dos Deputados projetos de lei que buscam proibir a venda de compostos arsenicais a pessoas físicas e estabelecer regras mais rígidas para a comercialização, com o objetivo de evitar novos casos semelhantes.




