Japão aprova reativação da maior usina nuclear do mundo após mais de uma década parada

Foto: Kyodo/Reuters

As autoridades do Japão aprovaram a reativação da usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior do mundo, encerrando um período de mais de 15 anos de inatividade após o desastre de Fukushima, em 2011. A decisão marca uma mudança estratégica na política energética do país, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e garantir segurança no abastecimento de energia.

Localizada na província de Niigata, a cerca de 320 quilômetros ao norte de Tóquio, a usina teve a retomada autorizada pela assembleia provincial nesta segunda-feira (22). Com isso, a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) está liberada para reiniciar as operações, começando pelo reator número 6, cuja reativação está prevista para a segunda quinzena de janeiro de 2026.

Kashiwazaki-Kariwa estava entre as 54 usinas nucleares desativadas no Japão após o terremoto e tsunami de 2011, que provocaram o derretimento de reatores na usina de Fukushima Daiichi, o maior acidente nuclear desde Chernobyl. Desde então, apenas 14 dos 33 reatores ainda existentes no país voltaram a operar, segundo a Associação Nuclear Mundial.

A retomada ocorre em um contexto de forte pressão sobre a matriz energética japonesa. Atualmente, cerca de 60% a 70% da eletricidade do país é gerada a partir de combustíveis fósseis importados, como carvão e gás natural, o que elevou os custos energéticos e as emissões de carbono. Somente no último ano, essas importações custaram aproximadamente 10,7 trilhões de ienes ao governo japonês.

O governo liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, no cargo há dois meses, tem defendido abertamente a retomada da energia nuclear como forma de conter a inflação, fortalecer a economia e avançar nas metas climáticas. O Japão é atualmente o quinto maior emissor de dióxido de carbono do mundo e assumiu o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Apesar dos avanços em fontes renováveis, como solar e eólica, a demanda por energia deve crescer nos próximos anos, impulsionada pela expansão de data centers e da infraestrutura ligada à inteligência artificial. Diante desse cenário, o plano energético japonês prevê dobrar a participação da energia nuclear na matriz elétrica, chegando a cerca de 20% até 2040.

A decisão, no entanto, enfrenta resistência local. Pesquisas recentes indicam que parte significativa da população de Niigata ainda manifesta desconfiança quanto à segurança da usina e à atuação da TEPCO, empresa responsável também pela planta de Fukushima. Em resposta, a companhia afirma que Kashiwazaki-Kariwa passou por extensas inspeções, modernizações estruturais e reforços nos sistemas de segurança, incluindo proteção contra tsunamis, novos geradores e sistemas aprimorados de contenção de material radioativo.

Com a aprovação oficial, a reativação da usina representa um passo decisivo na redefinição da política energética japonesa, ao mesmo tempo em que reacende o debate nacional sobre os riscos e benefícios da energia nuclear no país.

Redação TV Litoral

Redação TV Litoral

A Rede Litoral de Comunicação é um grupo de mídia multiplataforma do Litoral Norte do RS. Com atuação em TV, rádio, portal e redes sociais, levamos informação, conteúdo e entretenimento à comunidade, fortalecendo a comunicação local e impulsionando o desenvolvimento regional.Acompanhe através de @redelitoralrs.

Compartilhe :

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Imprimir

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *