O Litoral Norte do Rio Grande do Sul apresentou redução significativa nas mortes por câncer de mama em 2024, acompanhando a tendência estadual de queda nos óbitos pela doença. Os dados integram o Boletim Epidemiológico da Situação do Câncer de Mama 2025, divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (SES).
No Rio Grande do Sul, foram registrados 1.399 óbitos no último ano, contra 1.536 em 2023, o que representa uma queda de 8,9%. Mesmo com a redução, o Estado manteve a terceira maior incidência de câncer de mama do país, com 4.842 novos casos, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. A taxa de mortalidade foi de 24,2 por 100 mil mulheres, abaixo da previsão de 25,4.
Redução expressiva no Litoral Norte
Na região, a diminuição foi ainda mais acentuada. Conforme o levantamento, realizado pelo Portal Litoral na Rede, as duas regiões de saúde que englobam os municípios do Litoral Norte apresentaram quedas entre 25% e 29% nas mortes por câncer de mama em comparação com 2023.
Na Região Belas Praias — que inclui Arroio do Sal, Capão da Canoa, Torres, Xangri-Lá e outros municípios — foram 15 óbitos em 2024, ante 21 no ano anterior. Já na Região Bons Ventos, que abrange Osório, Imbé, Tramandaí, Santo Antônio da Patrulha, entre outros, o número caiu de 29 para 22 mortes.
Durante o ano, foram realizados 11.944 exames de mamografia nas duas regiões. Na Belas Praias, 77,69% dos resultados foram classificados como BI-RADS 2, indicando achados benignos. Na Bons Ventos, o índice foi semelhante, com 69,02% dos exames nesse nível.
Apesar da melhora nos indicadores, o boletim aponta que a cobertura de mamografias ainda está abaixo do ideal. Estima-se que entre 11,7 mil e 17,1 mil exames de rastreamento seriam necessários para a faixa etária de 50 a 69 anos, mas apenas cerca de 30% foram realizados.
Perfil dos casos e faixa etária
A maior concentração de diagnósticos no Estado ocorreu entre mulheres de 50 a 69 anos, que representaram 49,2% dos casos, seguidas pelas faixas de 40 a 49 anos (20,3%) e acima de 74 anos (11,7%).
Diferenças por raça e cor
O boletim também destaca variações conforme raça e cor. Entre mulheres brancas, a taxa de mortalidade foi de 27,86 por 100 mil, acima da média estadual. Já entre pardas, o índice foi de 10,02, e entre pretas, de 20,37.
Atendimento especializado
Entre as ações de enfrentamento à doença, o programa SER Mulher RS, desenvolvido pelo governo estadual, oferece atendimento integral à saúde feminina — desde a prevenção até o diagnóstico e tratamento. No Litoral Norte, o serviço funciona junto ao Hospital São Vicente de Paulo, em Osório.
Contexto geral
O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil (excluindo o de pele não melanoma) e uma das principais causas de morte. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são apontados como fatores decisivos para o aumento das chances de cura.
Apesar dos avanços, a cobertura de mamografias no Rio Grande do Sul permanece abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com 26% das mulheres realizando o exame — índice levemente superior à média nacional, mas ainda distante do ideal.




