A Polícia Civil concluiu, nesta quinta-feira (9), o inquérito que apurava as atividades do guru espiritual Adir Aliatti, de 70 anos, conhecido como Prem Milan, fundador da comunidade Osho Rachana, localizada em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele foi indiciado por 13 crimes, entre eles tortura, charlatanismo, violência sexual mediante fraude, estelionato e curandeirismo.
Além de Aliatti, seus filhos André Blos Aliatti e Amanda Blos Aliatti também foram indiciados e responderão pelos mesmos delitos. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresentará denúncia à Justiça.
De acordo com a investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Viamão, o grupo teria feito cerca de 40 vítimas e desviado mais de R$ 20 milhões, obtidos principalmente por meio de cobranças de pacotes de “imersão espiritual” e mensalidades que variavam entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. A polícia aponta que o dinheiro arrecadado com as atividades da comunidade teria sido utilizado para viagens de luxo, apostas online e despesas pessoais do guru.
As denúncias que originaram o inquérito começaram em 2022, quando ex-integrantes da comunidade relataram práticas violentas e abusivas. Os depoimentos indicam que seguidores eram coagidos a participar de atividades de “sexo livre” sob a justificativa de que se tratavam de terapias alternativas. Também há relatos de discriminação racial e de gênero, além de práticas de suposta “cura gay”.
A Osho Rachana foi criada em 2005, em uma área rural de 42 hectares na localidade de Cantagalo, em Viamão. O local chegou a abrigar cerca de cem pessoas, que viviam sob um regime comunitário, com trabalhos diários e venda de produtos orgânicos, pães e artesanatos. A renda, segundo a polícia, era administrada diretamente por Aliatti.
O guru e os filhos foram alvo da Operação Namastê, deflagrada em dezembro de 2024, quando houve cumprimento de mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens. Apesar das evidências levantadas, a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva e determinou medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes e proibição de contato com as vítimas.
Entre os crimes atribuídos a Aliatti e aos filhos estão: associação criminosa, tortura psicológica, estelionato, violência sexual mediante fraude, curandeirismo, charlatanismo, injúria racial, exposição de menores a constrangimento e redução à condição análoga à escravidão.
As defesas dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral ao relatório final da polícia e que aguardam o posicionamento do Ministério Público para apresentar manifestações formais no processo.
Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.




