Uma nova vacina experimental contra o câncer apresentou resultados promissores em pacientes com tumores no pâncreas e na região colorretal, segundo estudo publicado neste mês na revista Nature Medicine. O imunizante foi capaz de estimular respostas imunológicas duradouras, com potencial para reduzir a recorrência da doença em pessoas de alto risco.
A pesquisa foi conduzida pelo Health Jonsson Comprehensive Cancer Center, da Universidade da Califórnia – Los Angeles (UCLA). O estudo avaliou a eficácia da vacina em pacientes com mutações no gene KRAS, associado a aproximadamente 25% dos tumores sólidos, incluindo 90% dos cânceres de pâncreas e 50% dos colorretais.
Após acompanhamento médio de 19,7 meses, os resultados indicaram sobrevida livre de recidiva de 16,3 meses e sobrevida global mediana de 28,9 meses, superando taxas históricas para esse tipo de câncer, que costuma ter alta mortalidade e poucas opções terapêuticas eficazes.
Como funciona a vacina
O imunizante, chamado ELI-002 2P, foi testado em 25 pacientes no ensaio clínico de fase 1 AMPLIFY-201. Diferente de vacinas personalizadas, o produto é padronizado e atua diretamente nos gânglios linfáticos, onde ativa respostas imunológicas.
O estudo mostrou que 84% dos pacientes desenvolveram células T específicas contra mutações do KRAS, fundamentais para combater células tumorais. Em 24% dos casos, biomarcadores associados ao câncer desapareceram completamente. Pacientes que tiveram respostas imunológicas mais intensas permaneceram livres da doença por períodos mais longos.
Próximos passos
Os resultados reforçam o potencial da vacina como uma alternativa inovadora no combate a tumores difíceis de tratar. A equipe responsável dará continuidade às pesquisas em um ensaio clínico maior, de fase 2, para confirmar a segurança e a eficácia da abordagem.




