Interesse dos EUA em minerais estratégicos reacende possibilidade de acordos comerciais em meio ao tarifaço

Imagem: Joaquin Corbalan P/Shutterstock

O crescente interesse dos Estados Unidos em minerais estratégicos brasileiros, especialmente as terras raras, pode abrir espaço para uma nova rodada de negociações comerciais entre os dois países. A movimentação ocorre em meio às tensões provocadas pelo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump, que prevê a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos importados do Brasil a partir de 6 de agosto.

Essenciais para setores de alta tecnologia, defesa, energia renovável e indústria eletrônica, os minerais estratégicos brasileiros passaram a ser vistos como ativos geoeconômicos de alto valor pelos norte-americanos. Em julho, o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil reuniu-se com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em Brasília, para discutir oportunidades de cooperação bilateral no setor. Entre os temas tratados, estiveram o interesse dos EUA por uma missão comercial brasileira ao país e a possibilidade de firmar acordos para acesso a esses recursos.

O movimento diplomático norte-americano ocorre semanas após a publicação do decreto que estabelece as novas tarifas de importação. Apesar das sanções, cerca de 75% dos minérios exportados pelo Brasil foram excluídos da medida, sinalizando a importância estratégica desses recursos nas relações bilaterais. Entre os minerais que permanecerão isentos da tarifa estão nióbio, lítio e grafita — todos com aplicação crítica nas cadeias de produção de baterias, semicondutores e dispositivos eletrônicos.

Os Estados Unidos têm intensificado sua busca por fornecedores alternativos de minerais críticos diante da dependência em relação à China, maior produtora mundial de terras raras. O Brasil, detentor da segunda maior reserva global desses elementos, surge como parceiro potencial. A aproximação com o setor mineral brasileiro reflete um padrão adotado por Washington em negociações recentes, como nos acordos com a Indonésia e a Ucrânia, que envolveram o acesso a minerais em troca de concessões comerciais ou apoio estratégico.

Além das terras raras, os norte-americanos também demonstraram interesse na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que está em elaboração pelo governo brasileiro, e em projetos legislativos voltados ao fomento do setor. O objetivo é estabelecer um ambiente regulatório que viabilize acordos comerciais de longo prazo e garanta o fornecimento estável desses insumos para a indústria norte-americana.

Apesar do potencial, a exploração dos minerais estratégicos no Brasil ainda é limitada. A maior parte dos projetos encontra-se em fase inicial ou em áreas de pesquisa, com obstáculos como a ausência de um marco legal específico e a falta de infraestrutura tecnológica para agregar valor à produção. Ainda assim, o cenário pode mudar com o avanço de políticas públicas voltadas ao setor e com a ampliação do diálogo com parceiros internacionais.

A possível utilização dos recursos minerais como moeda de troca nas negociações comerciais com os EUA revela o peso geopolítico que esses elementos adquiriram. Em meio ao cenário de tarifas e disputas por cadeias produtivas estratégicas, o Brasil surge como fornecedor-chave de matérias-primas críticas — e como interlocutor relevante nas conversas sobre comércio e tecnologia nos próximos anos.

Redação TV Litoral

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