Após anúncio de exceções, 85% dos produtos gaúchos seguem taxados pelo tarifaço dos EUA

Foto: Bruno Todeschini / Agencia RBS

O Rio Grande do Sul permanece entre os estados mais atingidos pelo aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos, mesmo após a divulgação da lista de exceções do governo norte-americano. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), 85% dos produtos exportados pelo setor industrial gaúcho aos EUA continuam sendo taxados.

O percentual está bem abaixo da média nacional de isenções, que alcança 44,6%, conforme o estudo. Com essa diferença, a Fiergs estima que o impacto direto sobre a economia do Estado poderá ultrapassar R$ 1,5 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho já em 2026.

De acordo com os dados, mais de 140 mil trabalhadores estão inseridos nos setores mais vulneráveis às novas tarifas. A estimativa é de que mais de 20 mil empregos estejam em risco, com destaque para segmentos como o metalmecânico, o setor moveleiro e a indústria do tabaco — todos deixados de fora das isenções.

Outro segmento fortemente afetado é o calçadista. Os calçados produzidos no Estado, voltados ao gosto específico do mercado norte-americano, têm baixa viabilidade em outras regiões. Com isso, a dificuldade em redirecionar a produção agrava os efeitos do tarifaço sobre as exportações locais.

Diante do cenário, a Fiergs anunciou a criação de um comitê de crise para estudar medidas emergenciais que possam minimizar os prejuízos. Entre as propostas apresentadas ao governo federal estão a liberação de créditos de exportação do ICMS, o acesso facilitado a crédito e capital de giro, incentivos à manutenção de empregos e estímulo à busca por novos mercados.

A carta com as reivindicações foi entregue esta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério da Fazenda, por sua vez, já trabalha na atualização de um plano de contingência, que deverá ser ajustado conforme a evolução do impacto tarifário.

Apesar das perdas, a Fiergs defende que o Brasil mantenha o diálogo com os Estados Unidos, evitando medidas de retaliação e buscando uma solução negociada para reverter ou mitigar os efeitos das tarifas sobre as exportações nacionais.

Redação TV Litoral

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