É importante começar essa matéria, lembrando que o futebol feminino foi proibido no Brasil, por uma lei assinada pelo presidente Getulio Vargas em 1941. Essa bizarra proibição perdurou até o ano de 1979, ou seja, apenas 44 anos separam o fato da atualidade, no papel é claro. Na pratica não aconteceram mudanças significativas em favor das mulheres no meio esportivo, mas em especial no futebol.
Precisamos falar incialmente, que o futebol feminino do Brasil é pouco valorizado e nada desenvolvido, isso tudo devido ao machismo estrutural que impera na cultura do brasileiro e como diz a frase, em todas as estruturas institucionais. Por mais que a gente tente se livrar, ele esta presente no dia a dia de todos nós, por vezes imperceptível, quando por exemplo, uma mulher não recebe o atendimento adequado quando busca ajuda judiciaria para denunciar um agressor, ela simplesmente não recebe o mesmo tratamento que o próprio agressor. Mas na sua grande maioria das vezes esse machismo se mostra com contundente agressividade mesmo.
No texto da lei que proibiu a prática do futebol pelas mulheres diz que: “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Eu pergunto; quem pode de fato determinar qual é a “natureza da mulher”? Esse é o principal fator de mudança cultural para cada um de nós, é impensável aceitar que poderíamos determinar a natureza de cada pessoa, e com base nessa determinação, rotular o que se pode e o que não se pode fazer.
Desse tempo até agora, algumas coisas ja mudaram, a pouco tempo, grande clubes do Brasil como: Flamengo, Fluminense, Grêmio, Inter, São Paulo, Vasco, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians e aqui vale lembrar, o protesto da sua torcida contra a contratação de um profissional que tinha um processo por assédio a uma mulher, o que fez a direção desistir do mesmo, e claro o Palmeiras, que hoje tem como presidente Leila Pereira. Além de Leila, hoje no Brasil apenas outras duas mulheres comandam clubes; CSA com Mirian Monte e Coritiba, com Mariana Libano.
A caminhada ainda é muito longa para chegarmos ao cenário ideal, pois estamos falando de uma mudança de cultural no mundo todo, o que leva muito tempo para acontecer, pois ainda assistimos a perguntarem quantas atletas Homossexuais existem no elenco? pergunta foi feita para a jogadora da seleção do Marrocos, por um repórter da BBC. Vocês imaginam essa pergunta sendo feita por a um jogador homem? Claro que não, pois homem protege outro homem.
Que nosso preconceito seja superado por nós mesmos, e que nossas cabeças possam estar abertas, que seja normal uma mulher ocupar um cargo de comando que até então “apenas homens eram aptos” a ocupar. Quem venham mais Leilas, Marianas, Mirians, Marias, Carlas, Fernandas, Dayanes, Paulas e tantas outras quiserem ter o esporte e o futebol como carreira de sucesso.




